| Derrubando as muralhas interiores |
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| Noticias - Celulas | |||
| Escrito por Elisio Marcelo | |||
| Qua, 01 de Fevereiro de 2012 18:42 | |||
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A manifestação divina entre os homens encontra em nós, seres humanos, o maior obstáculo. Precisamos perceber a realidade espiritual fora da dimensão que entendemos como correta, pois neste mundo de comparações inexiste parâmetro adequado de interpretação. Portanto as coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente e nunca através de comparações explicáveis nas repetitividades naturais.
Aquilo que entendemos como impuro diante de Deus pode ter uma interpretação ligada apenas ao universo daquele que interpreta. Podemos de maneira independente ao Espírito divino, alegar ao mundo, a carne e ao diabo, a posse daquilo que eles não têm à legalidade. Portanto podemos afirmar segundo o nosso entendimento, que algo santo é impuro, como também algo impuro é santo.
Será possível isto? Claro que sim. Certa vez Jesus afirmou a mulher samaritana (Joa 4:22) que se ela conhecera o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Na cabeça da mulher samaritana, Jesus estava quebrando uma regra grave, que era se dirigir a ela. Algumas vezes Deus se dirige a nós pedindo coisas que não possuímos e não temos o poder de realizar, apenas para que entendamos a nossa realidade de impotência, por não admitirmos a nossa mediocridade. Deus quer nos questionar fazendo com que percebamos a nossa geografia existencial, para que em função disto questionemos o nosso relacionamento com aquilo que entendemos ser Deus.
Aquela mulher em seu dia-a-dia caminhava para o local de culto, mas a sua vida não era de culto. Sua vida refletia uma inexistência das manifestações espirituais, vivendo oprimida pela prostituição e desilusão no amor, apesar de ser alguém que buscava a Deus e caminhava para o local da adoração. Esta mulher não possuía conhecimento de Deus, apesar da sua religiosidade. Portanto para se dirigir a Deus em culto é necessário conhece-lo, pois esta falta de conhecimento nos torna pessoas religiosas, cumpridoras das regras da religião, mas extremamente vazias da experiência divina que nos leva a transcender o natural, reflexo de um comportamento que reflete intimidade com a santidade de Deus.
Esta mulher não entendia que a sua sede não estava em ter preenchido as suas carências como mulher, encontrando um marido, mas sim em ter a sua verdadeira sede dessedentada, que era a sede de Deus. Mais ainda, ela necessitava do conhecimento que mudaria a sua trajetória, conhecer o único Deus verdadeiro e aquele que nos foi enviado, ou seja, conhecer ao Senhor Jesus. Quando a mulher entendeu quem era Jesus, largou a coisa principal no momento, o seu cântaro, e foi para a cidade contar a sua descoberta a outros.
Esta mulher teve em si quebrada uma barreira que a impedia de conhecer a Deus, a barreira da religião, da cultura, e do preconceito racial. Portanto ela não entendia a Deus por ter em si regras que decodificam de impuro tudo o que vinha dos judeus. Vemos com isto que o santo para ela era impuro, e que o impuro ela entendia como santo, por encontrar em sua vida a legalidade para o pecado por desconhecer o Deus que nos livra da escravidão e da morte, pois para ela a escravidão e a morte vinham de Israel. Deus também nos ensina que a cura pode estar nas mãos dos nossos inimigos, nos impulsionando a um comportamento que sempre busque a reconciliação com aqueles que interpretamos como irreconciliáveis. Outra situação parecida se deu com Pedro na conversão do centurião chamado Cornélio. Deus teve que derrubar as muralhas interiores de Pedro, para que este entendesse o plano de salvação sobre a vida deste homem que buscava a Deus em sua ignorância. (Ato 10: 9-16) O interessante no comportamento de Pedro foi a sua atitude de obediência a visão, pois ele poderia permanecer preso aos seus paradigmas religiosos, mas pelo contrário, obedeceu a voz de Deus e foi até a casa de Cornélio e pregou para ele, sua família e amigos, dando condições para que o propósito de Deus se cumprisse naquele lugar. Pedro estava orando e por isto recebeu a revelação para a vida de Cornélio. (Ato 11:5)
Derrubar as muralhas interiores nos faz homens despidos de conceitos humanos e atentos à voz divina que muda a nossa interpretação das coisas que vemos, moldando-nos a uma forma estabelecida no sobrenatural, para que em nossa dimensão sejamos intérpretes dos propósitos estabelecidos por Deus.
Derrubar muralhas é complicado, pois nos torna desprotegidos, pois criamos paradigmas que nos defendem dos outros, mas que também nos aprisionam em nós mesmos. Portanto se faz necessário um relacionamento com o Senhor, através da oração, buscando a descoberta daquilo que está por detrás da aparência.
A mulher samaritana teve que derrubar a tradição dos seus pais, pois aprendera deles que naquele monte era o local de adoração (Joa 3:20). Jesus deixa claro que não existe local de adoração, por isto Deus busca adoradores. O palco da adoração é a terra e neste local, deus está atento aos homens que em qualquer lugar queiram conhece-lo.
Esta mulher quando entendeu a sua realidade após o conhecimento de quem era Jesus, se desapega das coisas principais de sua vida (Joa 4:28) e passa a ter como objetivo propagar quem era aquele que a desnudara sem humilha-la, mas dando um novo sentido a sua vida. Da mesma forma Cornélio ao receber o dom de Deus (Ato 11:18) passou a dedicar a sua vida ao relacionamento com aqueles que eram de Deus (Ato 10:48), ultrapassando as barreiras da cultura e da religião(Ato 10:28) tornou-se membro de uma família que desconhece as muralhas do preconceito e da intolerância, vivendo em função de um único objetivo que é apregoar aquele que os libertou das prisões e da ignorância da verdadeira divindade que temos que nos relacionar.
Derrubar as muralhas interiores é um desafio diário, que nos leva a viver pela fé, entendendo que neste comportamento está o caminho para uma interpretação correta da realidade que transcende. A mulher Samaritana e Pedro tiveram que deixar de lado os conceitos da religião, para perceber na revelação divina o propósito estabelecido para as suas vidas e das pessoas que os mesmos iriam influenciar.
Derrubar as muralhas interiores pode a princípio nos desproteger, mas certamente nos fortalece em uma nova realidade que se estabelece no renovar das nossas mentes, capacitando-nos a receber a porção diária, onde a experiência da fé nos faz exercitar. Viver por fé é deixar a visão natural desprotegida para que o sobrenatural torne o natural reflexo das coisas que são vistas segundo os olhos de Deus. Devemos entender que dentro de nós está o maior de todos os obstáculos e neste desafio, vencer a nós mesmos, a aceitação do plano de Deus que interfere na história através de pessoas anônimas que ousaram se desapegar das coisas que lhes trazem segurança e poder, para uma vida de constantes surpresas, desafios e experimentações.
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